O Mapa do Crescimento

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Jim O’Neill, atual presidente da Goldman Sachs Asset Management – braço de gestão de recursos de um dos mais renomados e polêmicos bancos de investimento do mundo -, sempre acompanhou de perto a globalização. No início da carreira, em 1982, tinha recém-completado o doutorado em economia pela Universidade de Surrey, na Inglaterra, e buscava emprego no mercado financeiro.

Não teve sucesso nas investidas com os bancos britânicos, que tradicionalmente davam preferência para estudantes formados em universidades mais celebradas. Mas acabou conseguindo uma vaga no escritório londrino do Bank of America. A função de O’Neill era analisar, junto com os colegas da matriz do banco, na época sediado em São Francisco, as perspectivas para a economia italiana. O objetivo era tentar prever o comportamento da lira.

Pouco depois, mudou de instituição e foi para Nova York, participar ativamente do mundo das decisões rápidas e arriscadas dos operadores das mesas de negociação de taxas de câmbio.

Após três anos analisando os dados macroeconômicos dos países desenvolvidos, trocou novamente de emprego, para trabalhar com pesquisas relacionadas com ativos de renda fixa e ações.

Nessa nova função, O’Neill aprendeu a escolher e comunicar, tanto para operadores de mercado quanto para clientes, algumas poucas ideias de investimento que pudessem realmente fazer diferença para a rentabilidade da carteira. Foi com essa experiência acumulada que chegou na Goldman Sachs em 1995.

Em 2001, publicou o artigo que o tornou mundialmente famoso, ao prever que o ritmo de crescimento econômico de Brasil, Índia, Rússia e China faria com que atingissem significativa participação na economia mundial. O’Neill chamou o grupo dos quatro países de Bric e afirmou que seriam os novos alicerces da economia mundial. Em inglês, o acrônimo Bric soa como a palavra “tijolo”.

Ao misturar em uma única cesta países tão diferentes e generalizar as estimativas, o artigo provocou diversas críticas. Mas o tempo mostrou que as previsões foram conservadoras. Em “O Mapa do Crescimento”, O’Neill relembra a trajetória dos integrantes do grupo, esclarece as razões que o motivaram a observar mais detalhadamente os países emergentes e reafirma o otimismo com o desempenho futuro da economia global.

Além de apontar as diferenças entre cada um dos quatro países, o economista mostra os pontos em comum que permitem a análise das nações como um bloco único. Para os habituados a pensar que o Brasil é sempre diferente, é surpreendente descobrir pontos em comum com sociedades tão distantes e diversas.

O argumento principal do livro é que, em razão do crescimento acelerado que ocorre nesses países, uma ampla parcela da população enriquece e cria oportunidades para a ampliação do comércio mundial, graças à expansão do número de consumidores. É natural, portanto, que ocorram mudanças nos investimentos e que empresas, instituições e pessoas no mundo todo comecem a analisar as oportunidades que se abrem para aproveitar o potencial de rentabilidade oferecido pelos Brics.

Atualmente, é fundamental conhecer, também, a dinâmica de mais 11 países, chamados conjuntamente de N-11. Nesse novo grupo, Coreia do Sul, México, Turquia e Indonésia, juntamente com os Brics, estão mais adiantados e podem ser considerados como mercados de crescimento. Nigéria, Egito, Paquistão, Filipinas, Vietnã, Bangladesh e Irã podem conquistar lugar de destaque em futuro próximo.

O’Neill mostra no livro as razões para continuar otimista com o crescimento mundial. Algo raro após a crise financeira que irrompeu em 2008.

Fonte: Marcelo d’Agosto / Valor Econômico.

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