Der Ring des Nibelungen, a história de um épico (II)

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

Der Ring des Nibelungen é um drama musical formado por quatro partes. Cada uma delas tem seu próprio argumento e pode ser encenada como uma única ópera, independente das outras três.

Entretanto, os quatro dramas unidos formam uma grande peça cujo enredo é contínuo. A música do Der Ring, assim como o texto, a princípio é individual para cada uma das quatro peças, se bem que existem os motivos condutores (Grundthema ou Leitmotif), que se repetem em diferentes situações de acordo com o argumento e as intenções do compositor. Existem leitmotifs para pessoas e objetos, como o tema de Wotan, tema de Sieglinde, tema da espada, tema do anel e tema do ouro. Ao todo existem aproximadamente 264 leitmotifs em toda a tetralogia, muitas vezes combinados entre si. Exemplo clássico é a abertura do III ato de Siegfried, no qual podemos distinguir pelo menos o entrelaçamento de 16 motivos condutores.

Wagner deu um título para cada uma das partes do ciclo de acordo com o tema da história. O título do conjunto da obra Der Ring des Nibelungen, reflete o tema principal que está presente nos quatro dramas.

O título da obra geral, bem como o título de cada uma das quatro partes, não foram os mesmos usados por Wagner ao dar início ao seu grande projeto. As trocas dos títulos são significantes, pois refletem modificações na ênfase dramática à medida que o compositor fazia numerosas revisões nos poemas, revisões que se tornaram necessárias pelas mudanças dos pensamentos de Wagner em relação ao conteúdo dramático de seu épico.

Der Ring des Nibelungen – Após ter completado o texto dos quatro dramas, em 1852, Wagner intitulou a tetralogia de Der Gold des Nibelungen (O Ouro do Nibelungo). Este título foi trocado para Der Reif des Nibelungen (O Círculo do Nibelungo), já que a palavra Reif tem o sentido de um círculo ou anel. Wagner pressentiu que nenhum desses títulos ressaltava a importância do Anel como parte do grande tesouro do Nibelungo e decidiu-se por usar Der Ring des Nibelungen, nome pelo qual a tetralogia é conhecida até os dias de hoje.

Das Rheingold – O título original escolhido por Wagner para o primeiro drama do Ciclo do Anel era Der Raub des Rheingoldes (O Roubo do Ouro do Reno). Ao perceber que o ato de roubar tinha um significado pouco dramático no contexto da obra, já que o elemento mais relevante era o ouro, Wagner trocou o título original para Rheingold (O Ouro do Reno). Esta obra, em um ato, dura duas horas e trinta minutos.

Die Walküre – O título original do segundo drama era Siegmund und Sieglinde – Der Bestrafung der Walküre (Siegmund e Sieglinde – A punição da Valquíria). Wagner percebeu, graças ao seu talento para elaborar o texto de seus libretos, ser necessária a utilização de um título mais curto. Ele chegou à conclusão que o foco desta obra estava em Brünnhilde, a mais importante das personagens, e decidiu renomear o drama para A Valquíria. Esta obra, em três atos, dura três horas e cinquenta minutos. Não está computado o horário dos intervalos.

Siegfried – Der junge Siegfried (O jovem Siegfried) foi o primeiro título dado por Wagner ao seu terceiro episódio do Anel. Chegou à conclusão que a palavra jovem era supérflua já que o texto do poema revelava o caráter juvenil do herói dos Wälsungs. O título foi resumido para a forma atual. Duração da obra: quatro horas.

Götterdämmerung – O quarto drama da tetralogia, o primeiro em ordem de composição (texto), foi escrito originalmente como Siegfrieds Tod (A morte de Siegfried). O novo título do drama, Götterdämmerung ou O Crepúsculo dos Deuses é o reflexo de uma significativa e radical mudança na cena final que passou por muitas revisões. A palavra crepúsculo ou anoitecer é a tradução literal da velha palavra nórdica Ragnarökkr. Semanticamente ela está entrelaçada com a palavra Ragnarök que representa o destino dos deuses, sua queda e a destruição do universo por um cataclismo de água e fogo. Baseado no significado dessas palavras nórdicas Wagner criou o novo título, mais apropriado para os principais eventos do final deste impressionante drama. Esta obra tem um Prólogo seguido de três atos e dura quatro horas e trinta minutos.

As fontes para o drama do Anel – Wagner não se limitou a usar apenas uma fonte para elaborar a tetralogia. Apesar de sua volumosa correspondência (mais de dez mil cartas de Wagner foram preservadas), o compositor não costumava tratar em suas cartas a respeito do material que lhe serviu de inspiração para escrever a trama do Der Ring. Ernest Newman, biógrafo e incansável pesquisador da vida do mestre de Bayreuth, localizou apenas uma carta, rica em detalhes sobre as fontes utilizadas. Franz Miller, Conselheiro da Corte em Weimar, ardente admirador das obras de Wagner solicitou ao músico que lhe informasse as fontes que havia utilizado. Numa carta datada de 1856, o compositor responde às indagações do amigo, enviando-lhe a seguinte relação bibliográfica:

Edda Saemundar, Volsungasaga, Nibelungenlied. Estes três primeiros livros forneceram à Wagner os principais elementos para que ele escrevesse o enredo do drama e podemos considera-los como fontes primárias.

Deutsche Mythologie, Die Deutsche Heldensage, Deutsches Heldenbuch, Heimskringla, Wilkinasaga. Estas obras contêm informações e dados relacionados ao tema do Anel e serviram como apoio, mais como referencia do que temático. Nós os consideramos como fontes secundárias.

Continua na próxima coluna.

Clique aqui e assista Morte e Funeral de Siegfried, do terceiro ato de Götterdämmerung.

Almoço cultural

Dias 6 e 13 de junho, estarei apresentando palestra sobre “Os músicos de Theresienstadt”, durante o tradicional almoço cultural promovido pelo SudioClio. Este tema já foi abordado na Revista Digital de 11/9/2003. Maiores detalhes sobre o evento estão à disposição dos leitores no site www.studioclio.com.br

 

torelly@polors.com.br

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone