Albéniz e Granados

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Isaac Albéniz (1860-1909)

Albéniz foi um menino prodígio, comparado a Mozart. Era natural do interior da Catalunha e antes dos cinco anos ele já compunha e se apresentava ao piano em concertos públicos. Seu pai apoiou o talento e a vocação do filho contratando os melhores professores que o iniciariam na teoria musical. Mas o adolescente, ávido por aventuras, fugiu de casa aos treze anos e viajou clandestinamente para a Argentina. No período que viveuem Buenos Aires, ganhava a vida de maneira precária, tocando piano em bares e salões de dança. Após acumular algumas economias, viajou para a Costa Rica e Havana, onde seguiu com este estilo de vida. Após alguns meses na América Central e Caribe, viajou para Nova Iorque. Sua estadia não foi longa. A família o descobriu e as autoridades o despacharam de volta para a Espanha. Foi viver em Madri, onde iniciou seus estudos no Conservatório Real de Música.

Graças ao secretário do rei Alfonso XII, Albéniz conseguiu uma bolsa de estudos para o Conservatório de Leipzig. Seu grande sonho era conhecer Franz Liszt. Para isso viajou à Budapest. Algumas fontes indicam que este encontro nunca aconteceu, já que o músico encontrava-se em Weimar. Opesquisador David Dubal afirma que Albéniz esteve com Liszt e inclusive recebeu do mesmo algumas aulas e o estímulo para nunca abandonar sua vocação musical. Albéniz concluiu seus estudos de teoria no Conservatório Real de Bruxelas. Vagou alguns anos pela Europa e retornou para Barcelona, em 1883. Decidiu estudar composição com Felipe Pedrell, à época o mais renomado professor da Espanha, um apaixonado pela música folclórica de seu país. Pedrell estava plenamente convencido dos dotes de Albéniz, mas reparou que o jovem não se preocupava com teorias ou quaisquer tipos de regras. O professor se dedicou a explorar temas artísticos e inspirou o aluno a compor música de cunho nacionalista. Albéniz estava convencido que havia perdido muitos anos compondo óperas fracas e cerca de 250 composições fadadas ao esquecimento. Em 1890, assim como fizeram diversos artistas espanhóis ele passou a viver em Paris, como professor e pianista. Lá ele foi profundamente influenciado pela música progressista de Dukas, Fauré, Debussy e Ravel.

 Finalmente, ele encontrou seu caminho criativo, a partir de 1906. Durante os três últimos anos de sua vida ele trabalhou com afinco, na produção de quatro livros com peças para piano. Eles perfazem um total de 12 músicas, sendo que o compositor batizou este conjunto de Ibéria. Albéniz havia criado a verdadeira música espanhola, que retrata a magia de seu país, em especial da Andaluzia moura.

 Ibéria compõe-se de um ciclo de 90 minutos de música, representando, com seus ritmos, a Semana Santa em Sevilha, o porto de Santa Maria, Evocación e Almeria. A peça El Albaicin descreve o bairro cigano da cidade de Granada.

Albéniz morreu aos 49 anos, de hipertensão maligna, provocada pela doença de Bright, que afeta os rins. Sua morte privou a música espanhola de seu mais importante autor nacionalista. Ibéria permanece como seu último e grande monumento.

Clique aqui para escutar Granada, da Suite Espanhola de Albéniz:

 

Enrique Granados (1867 – 1917)

Granados iniciou seus estudos de composição, em Barcelona, com o afamado professor Joan Baptista Pujol. Aos quinze anos venceu o concurso de piano numa apresentação no Conservatório de Barcelona. Foi nesta ocasião que ele conheceu Felipe Pedrell, o entusiasta do folclore espanhol e musicólogo, criador da Escola Espanhola de Música. Seus ideais foram perpetuados por três eminentes discípulos: Albéniz, de Falla e Granados. Este último, ao terminar um período de cinco anos de estudos com Pedrell, foi viver no grande centro cultural da Europa que era Paris. Após dois anos, saudoso da pátria, retornou para Barcelona. Nas próximas duas décadas ele abriu uma academia de piano, casou-se, compôs algumas óperas que não obtiveram sucesso e muita música para piano, incluindo as Dez Danças Espanholas.

Em 1910, Granados passou a dedicar-se à pintura, produzindo obras de boa qualidade. Venerava a obra de Francisco Goya, fato que o levou a viver dentro do espírito do século XVIII. Ele conseguiu transplantar a atmosfera das grandes obras do pintor para sua obra prima intitulada Goyescas. Trata-se de uma suíte para piano, com duração de 75 minutos. Nesta épica composição, Granados desabrochou em seu estilo musical. Ele mesclou tragédia a e amor, usando danças espanholas como a jota e o fandango. A Grande Opera de Paris contratou Granados para adaptar suas Goyescas em uma ópera. O início da 1ª Grande Guerra interrompeu o projeto, às vésperas de sua estreia.

A estreia foi transferida para o Metropolitan Opera de Nova Iorque, e ocorreu no dia 26 de janeiro de 1916. O sucesso foi relativo e nos dias atuais esta ópera raramente é executada. Apesar de sua fobia pelo mar, Granados viajou para Nova Iorque a fim de participar da produção do espetáculo. Alguns dias antes da partida, o compositor e a esposa foram convidados pelo presidente Woodrow Wilson para um jantar na Casa Branca, onde ele daria um recital e seria homenageado. Granados cancelou as passagens que havia comprado para viajar num navio holandês, neutro à 1ª Guerra. Após o recital em Washington, retornaram para a Europa no S.S. Sussex, de bandeira inglesa. Ao chegar ao Canal da Mancha, o navio foi torpedeado por um submarino alemão. Enrique Granados e a esposa Amparo Gal morreram congelados nas águas do canal.

Escute Eduardo Del Pueyo interpretando um fragmento da Suite Goyescas:

 

torelly@polors.com.br

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