Escolas americanas querem alunos brasileiros

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone
 
O Brasil está chegando ao topo da lista de prioridades das escolas de negócios dos Estados Unidos. Afetadas pela crise global e, em alguns casos, pela queda de matrículas de estudantes europeus e americanos nos últimos anos, elas têm se movimentado para conquistar alunos nos mercados emergentes. As recentes visitas dos representantes das instituições ao Brasil são um termômetro do interesse pelos potenciais candidatos do país.

Algumas das instituições que aqui estiveram chegaram a mudar seus cronogramas de visitas internacionais para incluir o Brasil em etapas que antes não contemplavam o país. É o caso da Wharton School, que já vinha anualmente divulgar seus programas e no ano passado trouxe seu comitê de admissões à capital paulista para entrevistar candidatos. “A inclusão de São Paulo é um reflexo do forte interesse de Wharton pelos brasileiros”, justifica Kathryn Bezella, diretora associada sênior de admissões.

Na Harvard Business School, as entrevistas presenciais no Brasil começaram a fazer parte da rotina há quase três anos. “Dentre as 70 nacionalidades que compõem nosso quadro, os brasileiros estão entre os ‘top 10′”, revela Deirdre Leopold, diretora de admissões do MBA da escola.

A disputa está acirrada pelos potenciais candidatos da América Latina. Um estudo elaborado pelo Graduate Management Admission Council (GMAC), empresa que aplica o principal exame de admissão usado pelas escolas de negócios, revela que a preferência dos candidatos da região por instituições americanas tem diminuído gradualmente.

Elas continuam sendo as mais populares – 74% dos latino-americanos tentaram ingressar em MBAs dos Estados Unidos em 2010-, mas o percentual já foi maior (78% em 2006 e 84% em 2000). “Uma das razões disso é que bons programas de educação executiva em diferentes regiões do mundo estão despontando e ganhando reconhecimento nos rankings globais”, explica Alex Chisholm, gerente sênior de análise estatística do GMAC.

Para Seda Mansour, diretora associada de admissão da Stanford Graduate School of Business, há também uma tendência de os estudantes internacionais procurarem instituições em outros países com custo mais baixo. “Escolas americanas que estavam habituadas a atrair esses candidatos já não têm a mesma facilidade”, afirma. Seda, que trouxe o reitor de Stanford ao Brasil em setembro, porém, ressalta que a escola ainda não enfrenta esse problema.

Outra tendência é a preferência cada vez maior por programas com um ano de duração. Populares na Europa e no Canadá, eles rivalizam cada vez mais com os tradicionais MBAs americanos de dois anos. “Os estudantes estão pesando os custos de ficar dois anos desempregados, pagar pelo curso e perder possíveis oportunidades profissionais”, afirma Peter Von Loesecke, CEO do The MBA Tour, feira itinerante que traz escolas de negócios globais ao Brasil todos os anos.

A crise que afeta países europeus e os Estados Unidos também pode estar entre as explicações mais prováveis para o aumento do interesse por economias como o Brasil. O diretor acadêmico da Universidade de Yale, Peter Salovey, que visitou São Paulo recentemente, admite que houve uma pequena queda nas inscrições para o programa de pós-graduação em 2010 por conta de incertezas no mercado de trabalho. “A crise também afetou a quantidade de doações que recebemos e, consequentemente, alguns investimentos como contratações e construção de prédios”, diz. O diretor ressalta, porém, que o ano de 2011 mostrou um cenário de recuperação.

Na Universidade de Pittsburgh, o panorama é o mesmo: em 2010, o número de matrículas de europeus e americanos caiu 20%. “Houve uma melhora em 2011, mas já esperamos nova queda para 2012 por conta da turbulência global”, afirma Anne Nemer, diretora dos programas de educação executiva. A escola planeja, contudo, aumentar em 30% sua turma de MBA Executivo oferecido no Brasil. Pioneiro, o curso é oferecido há doze anos e tem demanda crescente. “Nosso foco no país não mudou nem mesmo nos períodos de instabilidade. É um dos mercados onde mais crescemos e estamos investindo em novos cursos”, diz.

A trajetória da Pittsburgh, no entanto, não deve ser seguida por outras escolas. Todas as universidades consultadas pelo Valor – Harvard Business School, Universidade de Yale, Stanford Graduate School of Business, NYU Stern, Universidade de Michigan e Wharton School – não têm planos de instalar unidades no país no curto prazo. Apesar disso, o Brasil é considerado por elas um dos mercados mais importantes. “Fora dos Estados Unidos, é um dos locais de onde mais recebemos estudantes”, afirma Paula Goldfarb, diretora executiva da NYU Stern. “O país está entre os cinco mais representativos”, diz Soojin Koh, diretora de admissões da Universidade de Michigan.

Em todas as instituições ouvidas, a presença dos brasileiros aumentou com o tempo, assim como a participação internacional nas salas de aula de uma maneira geral. Essa diversidade, na opinião das escolas, é vantajosa tanto para os alunos quanto para a própria educação executiva. “Atualmente, é preciso ser global”, afirma Deirdre Leopold, da Harvard Business School. Peter Salovey, da Universidade de Yale, defende que o resultado de um corpo de alunos multicultural pode ser percebido na qualidade da educação. “Diferentes nacionalidades e religiões melhoram a discussão em classe. Para os americanos, os estudantes internacionais são um grande presente.”

Por Vívian Soares para o jornal Valor Econômico.

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone