O preço da falta de educação e a ilegalidade

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Recentemente fui ator em uma cena corriqueira do nosso cotidiano: a falta de educação. Estava na sala de espera do aeroporto de Viracopos em campinas, aguardando a chamada para o vôo da empresa aérea que levaria eu e meu pai a Porto Alegre.

Por ocasião da chamada para o embarque ouvimos a frase de sempre sobre a prioridade para o embarque (pessoas com dificuldade de locomoção, crianças e idosos teriam a preferência).

Ao acompanhar o meu pai, constatei que dois homens, que não estavam em nenhuma das categorias com prioridade de embarque, avançaram em direção ao portão, mostraram as passagens e saíram céleres em direção ao avião.

Creio que esta cena deva se repetir muitas vezes, não só em Viracopos como também nos demais aeroportos do país. Infelizmente o crescimento da renda não é acompanhado pela educação necessária. Ao chegar ao avião interpelei a ambos sobre o seu ato de falta de educação.

Mas, ato contínuo a minha observação, um dos mal educados argumentou que ele também fora chamado com prioridade, pois fazia parte do rol de clientes especiais da companhia aérea e possuía o cartão cor “X” (e pasmem, mostrou-me o cartão). Neste ponto da conversa argumentei que o Estatuto do Idoso se sobrepõe a qualquer tipo de regra privada e que ele deveria saber disso.

A sobreposição da lei pública sobre a norma privada deveria ser conhecida de todos, não só por uma obrigação cívica, mas por uma questão de educação. Imagino que uma pesquisa sobre este assunto com os usuários dos serviços de transporte aéreo, realizada em saguões de aeroporto poderia resultar em uma conclusão no mínimo instigante em relação ao gap entre aquisição de renda percebida e construção de educação.

Uma boa reflexão sobre este assunto poderia dar margem uma discussão mais ampla, cuja base científica não é do meu conhecimento.

De qualquer modo é possível concluir que muitas pessoas que agem de forma mal educada, acabam por desobedecer as leis. Isto acontece incontáveis vezes ao nosso redor, seja por desconhecimento das leis ou por simplesmente transgredir em razão de proveito próprio.

Mas o pior de tudo é que já não nos indignamos mais, ou nos cansamos de nos indignar, e ninguém “tem tempo e paciência” para deixar claro ao transgressor que aquilo que ele está fazendo está errado. Este comportamento só serve para aliviar a culpa do transgressor, além de ser um estímulo a transgressão.

Este tipo de fato acontece também no meio econômico e na logística, embora o espectro de lei seja maior e mais rigoroso com os infratores. Na mesma semana do ocorrido li na Folha de São Paulo uma reportagem do Sr. Bernardo Figueiredo, Diretor da ANTT, sobre a forma de atuação das empresas operadoras do sistema logístico de transportes do país.

Havia uma afirmação já conhecida daqueles que trabalham e pesquisam sobre logística: as conseqüências da falta de planejamento logístico do país levam as empresas a transgredir.

Há muito tempo venho afirmando em crônicas e textos que se houvesse fiscalização plena, principalmente nas empresas do modal rodoviário, o Brasil iria ao caos e bancarrota por falta de meios para transportar produtos.

Resumindo: a logística do país só funcionará enquanto houver complacência da fiscalização. O país está repleto de caminhões em más condições, com excesso de carga motoristas com excesso de jornada de trabalho e intoxicados.

Mas existe um fator que poucos se dão conta. Em alguns casos a transgressão é reflexo da elevação da demanda por níveis de serviço além da capacidade de oferta dos operadores.

Quando um gerente de logística de uma empresa embarcadora exige que o seu produto chegue ao destino em prazos exíguos, deve providenciar uma investigação junto ao seu operador para verificar as condições de oferta.

Se um serviço de transporte com cerca de 2000 quilômetros for solicitado e não havendo ponto de troca de tripulantes, não existe possibilidade legal de que este serviço seja realizado em prazo inferior a 3,5 dias.

Embora isto não seja responsabilidade legal do gerente de logística de uma indústria, é sua responsabilidade para com a sociedade e que muitas vezes a falta de educação não permite perceber.

Por: Mauro Roberto Schlüter que é Professor de logística da Mackenzie Campinas e Diretor do IPELOG.

Fonte: http://www.intelog.net

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