O melhor do mundo é da sua cidade

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As maravilhosas azeitonas  Nocellara del Belice Castelvetrano DOC 

Há alguns anos, participei de um trabalho na serra gaúcha. Entre as tarefas, a criação de uma revista ressaltando as coisas boas de Gramado e Canela. O grupo de trabalho, com a sugestão da comunidade,  não teve dúvidas em destacar em página inteira da publicação o sagú de uma galeteria como o melhor do mundo, bem como o apfelstrudel  da estrada do Caracol como imbatível no planeta (estive na semana passada por lá e, infelizmente, ele não é mais o mesmo). No Rio de Janeiro, no Leblon, tem uma confeitaria que afirma fazer o melhor bolo de chocolate do mundo. Provei, achei bom mas nem tanto. Acho válido esse tipo de marketing quando tem consistência, quando não é apenas um truque. Não sou um especialista em culinária mas a opinião de mais gente vai consolidando (ou não) o melhor churrasco, o melhor chope. Acredito que é importante se ressaltar/vender o que de melhor uma cidade ou região produz. Pode ser um sapato, um móvel, um trator, uma conserva, um serviço ou a melhor agricultura orgânica do Brasil. Quem sabe um espumante, uma cuca, um queijo. Ou a qualidade da educação ou até mesmo o clima saudável.

Acredito que cidades e regiões não devem ter medo de serem vendedoras de suas realizações, produtos e das suas belezas naturais e ousarem em suas estratégias. Em recente viagem a Lisboa, tinha grandes expectativas quanto as maravilhosas azeitonas portuguesas e seu aclamados azeites. Sonhei muito tempo em estar lá.  Pois na capital daquele antigo império foi difícil encontrar casas especializadas em azeitonas. As oliveiras portuguesas produzem excelentes azeitonas mas os portugueses não sabem vender seus produtos. Não valorizam, não percebem o tesouro em suas mãos. O bolinho de bacalhau, lá denominado pastel de bacalhau, também não tem a devida atenção. Em muitas casas, quando pedíamos os pastéis, o atendente informava que só tinha um. Isso aconteceu muitas vezes e é até mesmo difícil de se acreditar. E o comentário dos garçons era de que sabiam que os brasileiros adoram bacalhau. Mas então como explicar tamanha desatenção? Uma pena.

E não foi em Lisboa, nem em Barcelona, nem em Roma ou Atenas que provei as melhores azeitonas que já comi. Coincidentemente, todos lugares em crise. Foi em uma vibrante Londres, no Jamie Oliver’s Italian restaurant, do inglês Jamie Oliver. Está escrito no cardápio: as melhores azeitonas do mundo. São as Nocellara del Belice Castelvetrano DOC . Não sei se são as melhores do mundo mas são excelentes. São italianas, suculentas, pouco salgadas, a cura exata no tempo adequado. E em três ou quatro restaurantes londrinos vi entradas valorizando as azeitonas. Não vi nada parecido em Lisboa.

Por falar em azeitonas, a Olivas do Sul, de Cachoeira do Sul (RS), anuncia o início da colheitas de azeitonas para 5 de abril. A empresa fez o primeiro azeite extra virgem produzido e comercializado no Brasil. As azeitonas colhidas manualmente dão origem a um produto da primeira extração a frio. A olivicultura implantada no sul do Brasil teve excepcional adaptação ao solo e clima da região.

E a sua cidade, o que tem de melhor, que pequenos tesouros seguem escondidos? Para mim, Porto Alegre é sede de uma das melhores redes de supermercados do mundo. E também tem a rua mais bonita.

Autor: Inácio Knapp.

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