Neste ano será difícil ter êxito nas contas externas
O Brasil encerrou o exercício de 2011 com um superávit de US$ 58,637 bilhões no seu balanço de pagamentos, um aumento de 19,4% em relação ao ano anterior.
Dois fatos merecem ser destacados: o déficit das transações correntes, de US$ 52,6 bilhões, foi o maior da história – embora em relação ao PIB tenha ficado no padrão histórico. Paralelamente, os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) líquidos, de US$ 66,6 bilhões, cobriram largamente o déficit das transações correntes.
O Brasil, graças ao aumento de preço das commodities, conseguiu aumentar suas exportações e, apesar de as importações continuarem crescendo, obteve um superávit comercial 47,8% maior do que no ano anterior. O que não conseguimos superar foi o déficit dos serviços, que se explica pela insuficiência da infraestrutura portuária para o comércio exterior e pelo próprio aumento dos IEDs, que gerou maior saída de lucro e dividendos.
Esse quadro não será tão favorável em 2012, pois o preço das commodities deverá cair – com exceção dos produtos agropecuários – e a estagnação nos países ricos reduzirá os IEDs.
Neste início do ano, nota-se uma modificação no movimento financeiro que se traduziu no superávit do balanço de pagamentos. A balança comercial e os Investimentos Estrangeiros Diretos acusam redução. Em compensação, registra-se um forte aumento dos investimentos estrangeiros em ações e também (o que não representa um fato positivo) em títulos de renda fixa, por meio de operações de arbitragem.
No tocante aos empréstimos e à venda de bônus, verifica-se que a rolagem, que no ano passado foi de 465% (ante 243% em 2010), voltou a cair para 261% para os 24 primeiros dias de janeiro, sinalizando maiores dificuldades para captar recursos. Não se devem lamentar essas dificuldades quando se verifica que a dívida externa bruta de longo prazo atingiu US$ 258,3 bilhões no final de 2011, enquanto as reservas internacionais do Banco Central eram de US$ 352 bilhões, oferecendo tranquilidade a curto prazo, desde que o déficit das transações correntes, estimado em US$ 65 bilhões para 2012, não se descontrole.
Fonte: Editorial jornal O Estado de S.Paulo










