Estes investimentos têm dono

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Empresas de celulose lideram movimento para flexibilizar as regras que restringem a aquisição de terras por grupos estrangeiros e de capital misto.

Empresários do setor de celulose lideram um movimento para flexibilizar as regras de um parecer, emitido em 2010 pela Advocacia Geral da União (AGU), que restringe a aquisição de terras brasileiras por companhias estrangeiras ou de capital misto. E não é por acaso: para muitas dessas empresas, o parecer representa um obstáculo legal à realização de investimentos de grande porte – alguns deles, bilionários. É o caso da Celulose Riograndense, que mantém em banho-maria um empreendimento de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões por causa da restrição imposta pela AGU – desde 2009, a companhia pertence ao grupo chileno CMPC.

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Segundo Walter Lídio Nunes, diretor presidente da Celulose Riograndense, a companhia detém 215 mil hectares de florestas no Rio Grande do Sul. Para viabilizar os novos investimentos, porém, ela teria de adquirir mais 35 mil hectares – bem mais do que os 1,5 mil permitidos pela nova legislação. “[Com essas números], nós estamos impedidos até mesmo de buscar fomento”, reclama Nunes. Ele alerta que só o Rio Grande do Sul pode perder R$ 6,5 bilhões em investimentos devido ao parecer da AGU – contando-se aí somente os projetos do setor de celulose, que também envolvem empresas como Stora Enso e Fíbria.
Para solucionar o impasse, Nunes defende a criação de um sistema mais flexível, que permita à União ou aos Estados analisar cada caso separadamente. Assim, diz Nunes, o governo poderia permitir ou não a aquisição de terras por empresas estrangeiras, sem abrir mão de interesses econômicos e tampouco colocar em risco a soberania nacional. Nunes defende uma discussão ampla, envolvendo a sociedade civil no assunto. “O que estamos propondo não descaracteriza o princípio básico do parecer da AGU. Temos que discutir aspectos que ficaram na margem da discussão, e acho que existe um clima para isso”, declara Nunes.

Nesta semana, Nunes e outros empresários do setor de celulose levaram a proposta detalhada ao governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e ao presidente da Câmara, Marco Maia. “Nós entendemos que o ponto da soberania nacional está correto. O que queremos discutir é o aperfeiçoamento desse parecer”, alega ele.

Fonte: Revista Amanhã.

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