Alguns filmes, discos e livros para quem foge do carnaval

A dica só vale para quem não gosta de carnaval e quer mesmo é ficar em um lugar tranquilo, só com bons diretores de cinema, bons autores e boa música. Assim, sugiro filmes em dvd,  cds e três livros. Dá para escolher.

Aviso que a atriz dos três filmes será a linda Audrey Hepburn. Não dá para reclamar, não é mesmo? Olhe a foto acima. Dá para resistir a tanta meiguice e beleza? No primeiro filme, ela interpreta uma cega: Um Clarão nas Trevas, de Terence Young. Assisti quando passou aqui em Porto Alegre, há muitos anos. Muito bom, com  suspense na medida.  Depois Bonequinha de Luxo, do extraordinário Blake Edwards, que consagrou Audrey Hepburn. Bom de se ver. Para concluir, Charada, de Stanley Donen. A música é inesquecível.

Estou lendo esses livros da foto. A Casa Verde, de Mario Vargas Llosa, como o próprio autor escreve, são feitiçarias da forma na ficção, a sinfonia de pontos de vista, ambiguidades, matizes, tonalidades e perspectivas que uma construção astuta e um estilo bem cuidado podiam dar a uma história. Mario Vargas Llosa escreveu A Casa Verde entre 1962 e 1965, num hotelzinho do Quartier Latin, em Paris.

Comida & Cozinha – Ciência e Cultura da Culinária, de Harold McGee, ganhei da minha filha Marina. Gosto muito de livros de cozinha. Este é um clássico da culinária aclamado pela revista Time como uma pequena obra-prima quando publicado pela primeira vez, em 1984. Jamie Oliver afirmou que Comida & Ciência é um dos mais importantes livros sobre culinária já publicados. Eu estou gostando muito. Dá para ler como se fosse um dicionário, mas com grandes explicações e citações de diversos autores. Veja um exemplo:

O queijo como obra de arte

Por trás de cada queijo há um prado de um verde diferente, sob distinto céu: campinas incrustadas do sal que as marés da Normandia depositam em cada entardecer; campinas perfumadas de aromas sob o sol ventoso da Provença; há diferentes rebanhos, com seus estábulos e seus movimentos pelos campos; há métodos secretos transmitidos através dos séculos. Italo Calvino

Inspirado por Calvino, posso afirmar que quando se entra em uma boa delicatessen dos nossos tempos,  sentimos a sensação de estar em um museu. Por trás de cada alimento exposto está a presença da civilização que lhe deu forma e que dele toma forma.

O outro livro que estou lendo é Sangue, Ossos & Manteiga, de Gabrielle Hamilton, que Anthony Bourdain disse ser magnífico. Simplesmente, o melhor relato de uma chef, em todos os tempos. O melhor, garante Bourdain.

A autora é a chef do restaurante Prune, no East Village, em Nova York. Mestre em ficção pela Universidade de Michigan, já foi publicada em revistas como New Yorker, GQ, Bon Appetit e Food & Wine. Também escreveu a Chef’s Column no New York Times. Ela vive em Manhattan com seus dois filhos.

Sou um grande fã do Keith Jarrett. Tenho vários cds deste pianista e este ganhei de presente. Rio, da  ECM, foi gravado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 9 de abril de 2011. O álbum tem dois discos, com 15 canções. De um só fôlego, sem ter escrito partituras, sem ter feito anotações, sem ter ensaiado, sem nada, Keith Jarrett tocou essas 15 músicas, que foram gravadas pelo engenheiro de som. ”Eu não sabia o que ia fazer. Não escrevi nada, foi tudo de improviso. Sem melodias, sem harmonias. Foi minha tentativa de estabelecer uma conexão com a cultura brasileira. O Brasil é muito acolhedor. Quando estou aqui, me sinto como se estivesse em casa. Tentei transmitir, por meio da música, o que define essa conexão”, disse Keith Jarrett ao jornal O Estado de S.Paulo.

Em 2009, o crítico do jornal, João Marcos Coelho, escreveu: “Jarrett consegue, aos 64 anos, improvisar com a mesma intensidade e qualidade artística que caracterizaram os mais adorados compositores do passado. Bach era genial improvisando ao órgão e em qualquer instrumento de teclado; Beethoven reclamava que via publicados nas semanas seguintes seus improvisos que ouvidos ladrões capturavam em suas janelas; e Mozart era o caso à parte, a ponto de escrever as partes de orquestra, mas deixar em branco a parte solista num concerto de piano que estrearia, improvisando diante do público. É preciso derrubar de uma vez por todas o preconceito de que música boa tem que ser música escrita.

O cd Howard Alden and Bucky Pizzarelli in a Mellow Tone comprei pela Amazon, usado. Fiquei curioso para escutar o pai do John Pizzarelli na guitarra. O filho já esteve várias vezes no Brasil. Tenho seis ou sete cds dele e de vez em quando gosto de escutar. Esse cd foi gravado em 2000 e tem 13 clássicos da música americana, com dois excelentes guitarristas de gerações diferentes. Maravilhoso.

Ben Webster meets Oscar Peterson é daqueles discos de levar para uma ilha. São dois cds, também com grandes clássicos da música americana. Além desses dois incríveis músicos, tem Harry “Sweets” Edison e Benny Carter. Todo mundo aqui tocou com Billie Holiday mas isso é outra história.

Veja e ouça uma amostra do talento de Ben Webster e Oscar Peterson:

 

Autor: Inácio Knapp.

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