A Fantasia Coral de Beethoven

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Existem algumas obras do mestre de Bonn, subestimadas e até desprezadas por determinados apreciadores dos clássicos. Há muitos anos escrevemos uma resenha sobre a Vitória de Wellington, dissertando sobre o pouco interesse das gravadoras na divulgação desta obra, que por sinal foi o maior sucesso financeiro atingido por Beethoven, em toda sua vida, como músico profissional.
Hoje teceremos algumas considerações sobre a Fantasia Coral em dó menor, Op. 80. Ela simplesmente não consta nos capítulos dedicados à vida e obra de Beethoven, seja no The Rough Guide to Classical Music de Duncan Clark e outros colaboradores, bem como no já citado Essential Canon of Classical Music de David Dubal. A edição concisa do Dicionário Grove de Música faz uma referência à Fantasia Coral dentro da lista de obras orquestrais, mas não emite nenhum comentário a respeito.
Apenas o grande biógrafo de Beethoven, Maynard Solomon dedica uma descrição mais acurada a este belo trabalho de Beethoven, que teve sua estréia na Academia de Viena, no dia 22 de dezembro de 1808.
O programa, mesmo para os padrões da época, foi de proporções gigantescas. Beethoven estreou a Quinta e a Sexta Sinfonia, o Concerto nº4 para piano e orquestra, apresentou os primeiros três movimentos da Missa em mi maior, Op. 86 e a Abertura Coriolano.
O músico decidiu encerrar o concerto com um final brilhante. Para isso ele havia composto esta peça singular que uniria os diferentes estilos musicais que já haviam passado pelo palco. Trata-se da combinação de uma fantasia para piano, em ritmo de Adágio, uma suíte de variações sobre o tema do lied Gegenliebe, um concerto para piano (Finale) e uma cantata para piano, coral e orquestra. Difícil de classificar, esta peça nos dá a impressão que Beethoven já se encontrava às voltas com o problema de finalizar sua última sinfonia, com a introdução da Ode à Alegria. O experimento e o sucesso alcançados com a Fantasia o levaram a seguir em frente.
Cabe destacar que o início desta obra tem como destaque as inúmeras variações ao piano, sobre o tema. Foi o próprio autor que atuou como solista, tocando as passagens iniciais de improviso. Talvez tenha sido uma das últimas apresentações ao vivo, já que a partir de 1809 o problema da surdez afastou o músico dos palcos.
A magnífica leveza e o desembaraço da Fantasia Coral encobrem uma força comunicativa que não se situa muito distante de A Flauta Mágica, de Mozart.

Obras recomendadas:

Beethoven in Berlin: Music to Goethe’s Tragedy Egmont, Op.84, com Cheryl
Studer.
Scene and aria “Ah! Perfido”, com Cheryl Studer.
Overture “Leonora III”, Op. 72a
Fantasy in C minor for Piano, Chorus and Orchestra, Op.80 – Yevgeny Kissin, piano; Cheryl Studer e Kristina Klemenz, sopranos; John Aller e Hiroshi Oshima, tenores; Friedrich Molsberger, baixo; RIAS Chorus; Berliner Philharmoniker; Claudio Abbado. (Deutsche Grammophon).

Beethoven: Choral Fantasy, Op. 80 – Alfred Brendel, piano; London Philharmonic Orchestra and Choir; Bernard Haitink.
Acompanha o Concerto para piano nº2.

Clique aqui para assistir a Fantasia Coral na íntegra, com Yevgeny Kissin e Abbado:

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Autor: Arthur Torelly Franco.

E-mail: torelly@polors.com.br

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