Alexander Von Zemlinsky

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Assim como Bach, cuja obra foi redescoberta após um século de sua morte, alguns gênios da música, como Mahler e Bruckner também passaram por um  período de esquecimento, por sorte não tão longo quanto ao de Johann Sebastian. Em 2012, decorrem 70 anos da morte de Alexander Zemlinsky, compositor vienense sobre o qual Arnold Schoenberg escreveu: Tudo que eu aprendi sobre composição musical devo ao meu mestre, Alexander Zemlinsky.

Até o início dos anos oitenta, o nome deste compositor, contemporâneo dos sempre incensados Alban Berg e Schoenberg, servia para preencher espaço na página dedicada à letra Z, dos guias musicais que abordam as biografias dos grandes compositores, por ordem alfabética.

Citamos como exemplo o livro Essential Canon of Classical Music – escrito por David Dubal, respeitável mestre da Juilliard School – aonde são dedicadas à Zemlinsky não mais do que cinco linhas. Dubal o joga na vala comum, intitulada Outros Compositores Modernos. A música de Zemlinsky foi relegada para um segundo plano, até que na década de oitenta ela está sendo resgatada por vários dirigentes e gravadoras. Ao invés de modernista, muitos já o consideram um refinado Romântico ao estilo fin-de-siècle.

O problema essencial deste autor foi o de escrever música muito avançada, em relação à de seus contemporâneos conservadores, mas não suficientemente inovadora para o grupo dos radicais.

Além de Schoenberg, Zemlinsky foi professor de Alma Schindler, a futura esposa de Gustav Mahler. Alguns autores insinuam que eles chegaram a ser amantes. Alexander colocou todas suas esperanças para ser correspondido em seu amor, mas o relacionamento entre os dois foi efêmero. Repudiado por Alma, sua angústia aumentou quando ela sarcasticamente o definiu como um horrível gnomo, sem queixo, desdentado e mal cheiroso.

Esta rejeição e escárnio, correspondente ao das sereias do Reno pelo gnomo Alberich, inspiraram o compositor a escrever Der Zwerg (O Anão), ópera em um ato. Baseada no conto O Aniversário da Infanta, de Oscar Wilde, a obra teve sua estréia em 1922, sob a direção de Otto Klemperer.

A obra orquestral Die Seejungfrau inspirada no conto A Pequena Sereia, de Hans Christian Andersen, também registra o amor de Alexander por Alma, sendo uma constante o tema da rejeição.

 

Alexander Zemlinsky (1871-1942): é o típico exemplo do multiculturalismo vienense na época do Império. Seu pai era um eslovaco, casado com uma mulher de família judia, natural de Sarajevo, na Bósnia.

Zemlinsky e Mahler foram os músicos que deram impulso a um modelo que transformaria a vida musical da cidade. Quando o primeiro deixou o conservatório, em 1890, tornou-se membro da Sociedade Vienense de Compositores, cujo presidente honorário, Johannes Brahms, muito encorajou o jovem compositor.

Grande parte da produção musical de Zemlinsky é composta por óperas e ciclos de canções. Sarema, a primeira de suas oito óperas, estreou em Munique, em 1897. A segunda, Es war einmal (Era uma vez), estreou sob a direção de Mahler, em 1900, na Ópera da Corte de Viena.

Além de professor, Zemlinsky dedicou parte de sua carreira à regência. Em Viena ele foi diretor musical do Carltheater e da Volksoper.

O período mais produtivo na vida de Zemlinsky foi passado na cidade de Praga, onde durante dezesseis anos ele dirigiu o Deutsches Landestheater. Sob sua direção, ele transformou este teatro numa das casas de ópera mais importantes da Europa. Stravinsky assistiu Zemlinsky regendo Mozart e afirmou que esta foi uma das melhores experiências musicais de sua vida. Foi em Praga que Zemlinsky escreveu a Sinfonia Lírica, considerada seu melhor trabalho.

Esta obra, assim como Das Lied Von der Erde, de Mahler é uma sinfonia cruzada com um ciclo de canções. O autor utilizou sete poemas de amor, de autoria do indiano Rabindranath Tagore. Este trabalho ilustra claramente a posição do autor, dividido entre a clássica tradição Austro-Germânica e a inovação da Segunda Escola Vienense de Música.

Alban Berg, um dos principais membros dessa Escola destacou a importância da Sinfonia Lírica e dedicou a Zemlinsky sua Suíte Lírica.

Em 1927 ele foi convidado por Otto Klemperer para trabalhar na Kroll Oper de Berlim. Lá ele estreou sua última ópera, O Círculo de Giz, em 1934. Meses depois, o regime nazista fechou esta casa de óperas e Zemlinsky retornou para Viena. Em 1938, perseguido por ter origem judaica, emigrou para os Estados Unidos aonde veio a morrer após quatro anos, pobre e esquecido pelo mundo da música.

 

Obras recomendadas:

 

Lyric Symphony: Voigt, Terfel; Orquestra Filarmônica de Viena, com regência de Sinopoli – Deutsche Grammophon 449 179-2;

 

Die Seejungfrau (A jovem Sereia): Sinfônica da Rádio Berlim, com regência de  Chailly – Decca 444 969-2

 

Clique aqui para escutar um excerto de A Jovem Sereia.

 

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Autor: Arthur Torelly Franco.

E-mail: torelly@polors.com.br

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