Os muitos amores de Franz Liszt

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Adam Liszt, pai de Franz, era funcionário do príncipe Nicolas Eszterházy, generoso mecenas que recebia os mais notáveis intérpretes da Europa em sua corte de Eisenstadt. O pequeno Liszt que havia nascido em 1811 cresceu neste ambiente a aprendeu com seu pai a tocar o cello e o piano.

Com oito anos, já compunha pequenas peças musicais e no ano seguinte apresentou-se em um concerto público na cidade de Bratislava. O êxito entusiasmou aos nobres eslovacos que decidiram custear seus estudos.

Adam consegue autorização do príncipe Eszterházy e leva seu filho para Viena. Lá ele estudou piano com Karl Czerny e composição com Antonio Salieri.

Apesar do sucesso alcançado durante suas apresentações junto ao público da Inglaterra França e Suíça, o jovem pianista, então com 17 anos sofre um esgotamento nervoso, sublimado por uma crise mística. Liszt decide seguir sua nova vocação religiosa e vai estudar em Roma. Pouco antes de sua ordenação, o Papa Gregório XVI resolve cortar a carreira sacerdotal de Franz em benefício da paz nos conventos. A revista L’Opinion publicou matéria com destaque à atração que todas as monjas tinham pelo jovem Liszt, após assistirem seu demoníaco virtuosismo ao executar músicas ao piano ou ao órgão. O músico nunca confirmou ou desmentiu esta história.

Liszt decide fixar residência em Paris e logo faz amizade com os intelectuais Alphonse de Lamartine, Victor Hugo e Heinrich Heine. Pelas mãos de Hector Berlioz ele é iniciado nas técnicas de direção orquestral. Em 1831 ele conhece e escuta Nicolo Paganini. Deslumbrado pelo quase sobrenatural virtuosismo do diabo do violino, Liszt se propõe a alcançar o mesmo padrão de maestria com o piano. Sua primeira tarefa foi a de adaptar para o piano, o terceiro movimento do Concerto nº 2 para Violino e Orquestra, de Paganini, daí resultando a Fantasia sobre a Campanella, peça que emula os efeitos e piruetas de insuperável técnica instrumental da obra original.

Através de Alfred de Musset Liszt é apresentado à atraente Marie de Savigny, condessa d’Agoult. Meses depois a aristocrata abandona o marido e sua família, para viver com Liszt, na Suíça.

 

Durante os quatro anos em que o casal viveu uma apaixonada relação, Marie deu à luz três filhos do músico: Blandine que nasceu em Genebra, a temperamental Cosima – que no futuro iria abandonar o marido Hans Von Büllow, para viver com Richard Wagner – e Daniel, nascido em 1839, meses depois da separação do casal. Liszt continua visitando Marie e seus filhos durante todos os verões, até 1844. Nesta data ele assume a guarda das crianças e as leva para viver em Paris.

Na década que transcorreu entre 1837 e 1847 Franz Liszt atingiu o auge de sua fama como virtuose do piano. Ele apresentava sua arte por toda a Europa, numa atividade sem descanso. Seus contratos de concertos o levaram a cidades como Reykjavík, São Petersburgo e Istambul. Em 1839 ela faz um retorno triunfal à sua Hungria natal. Todos os grandes teatros requerem sua presença e todos os públicos o aplaudem com delírio após assistirem o espetacular domínio que Liszt exerce sobre o piano.

O músico não é amado apenas nas salas de concertos. Entre os casos amorosos documentados nesta fase de sua vida, se contam sua aluna Caroline de Saint Cricq, a condessa Adèle de Laprunarède e sua amiga mademoiselle de Barre, a bela princesa italiana Cristina Belgiojoso, a aventureira e cortesã Lola Montez, a quase adolescente Marie Duplessis e a jovem condessa Valentine de Cessiat, sobrinha de seu amigo Lamartine.

 

Mas a mulher mais importante na vida de Liszt foi a princesa Carolyne Von Saynt-Wittgenstein, sua última amante e protetora.

 

Carolyne conheceu o pianista em Kiev em 1847, após uma estafante agenda de concertos na Europa Oriental e no Império Russo. Liszt estava só, esgotado e farto de exibir-se como um malabarista de circo. A princesa aproveita a ocasião para convidá-lo a viver com ela, na corte de Weimar, para dedicar-se apenas à composição e trabalhar em suas obras com toda a tranqüilidade.

O casal se une em 1848 e a princesa intenta, sem êxito, obter o divórcio, pois já está grávida de um filho de Liszt. Carolyn e Franz decidem conviver em Weimar sem ocultar seu relacionamento. Ele dispõe de tempo para compor e também rege óperas e concertos com a orquestra da corte.

Se o virtuosismo foi deixado de lado para dar espaço ao compositor, o certo é que os anos passados em Weimar foram os mais prolíficos de Franz Liszt. Foi nesta época que ele criou suas grandes obras para o teclado, como a Sonata para piano em si menor e os Concertos para piano Nº 1 em mi bemol maior e Nº 2 em lá maior.

A reconciliação de Liszt junto a Wagner e Cosima, em 1872, permite que ele assista como convidado de honra aos Festivais de Bayreuth. Ele continua compondo peças experimentais, dentre elas as transcrições e paráfrases e excepcionalmente participa de concertos beneficentes. O último deles ocorreu no dia 19 de julho de 1886,em Luxemburgo. Duas semanas após Liszt morreu em decorrência de uma pneumonia. Tinha 75 anos, quase todos eles dedicados ao mágico instrumento do teclado, para cuja grandeza contribuiu com seu imenso talento.

Clique aqui par assistir La Campanella, interpretada por Andrei Gawrilow:

Autor: Arthur Torelly Franco

E-mail: torelly@polors.com.br

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