Novos líderes precisam ter visão global de negócios

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Ensino Executivo: Para representantes de escolas, internacionalização das empresas requer gestores com mobilidade e facilidade para se adaptar a outras culturas.

 

As corporações se tornaram mais internacionais e, para acompanhar esse movimento, o executivo precisa ter hoje uma visão global para desenvolver todo o seu potencial e galgar postos mais altos na carreira. Isso significa aceitar a probabilidade de trabalhar e morar em outros países e ter facilidade para se adaptar a diversas culturas. Além disso, é necessário saber comandar equipes compostas por pessoas com formações e idiomas distintos, e entender as diferentes maneiras de se fazer negócio.

 Nesse cenário, que fortalece parcerias estratégicas entre universidades de todo o mundo, a Global Alliance in Management Education (Cems) tem ganhado cada vez mais notoriedade no Brasil. Com 27 escolas de quatro continentes, a entidade oferece o curso Master in International Management (MIM) e reuniu, recentemente, alguns representantes em São Paulo para apresentar seu programa a estudantes, debater o novo perfil dos gestores e qual é o papel das escolas de negócios nesse processo.

De acordo com François Collin, diretor-executivo da Cems, os alunos brasileiros que fazem parte do programa são uma espécie de modelo dos futuros gestores, pois desde cedo são interessados no que está acontecendo no mundo e não apenas “dentro de casa”. “Eles são entusiasmados, brilhantes e não têm problemas com mobilidade. São exatamente do que as organizações precisam”, ressalta.

Maria Tereza Fleury, diretora da Eaesp-FGV, concorda que esse global mindset é típico da nova geração e começou a surgir no Brasil a partir da abertura do mercado nos anos 1990. “Antes, as companhias se concentravam unicamente no mercado doméstico. O fenômeno da internacionalização é recente e tanto as escolas quanto o mundo corporativo precisam aprender a lidar com ele”, afirma. Não por acaso, a Cems tem parcerias com empresas em diversos países – Santander e Itaú Unibanco são os apoiadores do programa no Brasil.

Como as companhias brasileiras estão se tornando relevantes para o resto do mundo e cada vez mais multinacionais entram no país, adotar um modelo de ensino executivo que ultrapasse fronteiras é o caminho natural, apesar de bastante difícil. “Não se trata de internacionalizar apenas a maneira como as coisas são ensinadas, mas também o corpo docente e o corpo discente”, afirma João Amaro de Matos, vice-reitor para assuntos internacionais da Nova School of Business & Economics, de Portugal. Para ele, a América Latina já começou a caminhar nesse sentido, ainda que pontualmente, em países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru.

Mas esse não é um problema apenas das escolas de negócios sul-americanas. Gunnar Christensen, reitor para assuntos internacionais da NHH, escola de negócios da Noruega, ressalta que as instituições de ensino americanas, por exemplo, têm quase sempre uma visão local e limitada da realidade. “Assim como a economia, os desafios agora são globais e os programas de MBA também devem ser. O profissional moderno precisa estar atento a essas mudanças”, diz.

O vice-reitor da escola de negócios da Universidade Nacional de Cingapura (NUS), Hum Sin Hoon, afirma que o ambiente de negócios se tornou complexo com a falta de barreiras geográficas. “As empresas buscam seus talentos no mundo todo e qualquer país pode ser um potencial cliente, produtor, fornecedor ou parceiro”, diz.

De acordo com Thomas Bieger, chairman da Cems e reitor da Universidade St. Gallen, da Alemanha, investir na diversidade de alunos e parceiros traz outro benefício além de tornar os programas mais internacionais e alinhados com o novo cenário econômico: formar líderes responsáveis e guiados por valores éticos. A proximidade com ONGs e a maior preocupação nos currículos com temas como sustentabilidade são prova disso. “Queremos atrair mais gente que não está interessada apenas no mercado financeiro e no lucro, mas também em como pode contribuir com a sociedade”, afirma.

Para Fulvio Ortu, reitor para assuntos internacionais da universidade italiana Luigi Bocconi, esse é um dos maiores desafios atualmente das escolas de negócios. “As instituições de ensino têm o papel importante de ensinar os gestores a conduzir seus negócios dentro de um âmbito moral e justo. Deve-se levar em conta tanto os interesses dos acionistas e investidores como os da comunidade”, ressalta.

Por Rafael Sigollo para o jornal Valor Econômico.

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