A busca irresponsável da mediocridade

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A notícia de que o Brasil superou o PIB da Inglaterra, passando a ser a sexta maior economia do mundo, evidentemente é um fato a ser saudado como positivo. Mas há que se ter cautela nesta hora, para que não sirva para obscurecer ainda mais as notórias deformações da nossa realidade socioeconômica. Em primeiro lugar, como é óbvio, não dá para comparar a ainda minguada renda per capita do brasileiro com a dos ingleses, eles com US$ 36 mil anuais e nós com US$ 10.710. Mais importante do que isto, porém, é evitar que a conquista estimule ainda mais a equivocada postura do tipo “porque me ufano do meu país”. É que nos falta praticar o verdadeiro significado da palavra humildade. Por não termos este senso de realidade, carecendo de um referencial de excelência (um “benchmarking”), tendemos a nos acomodar, achando normal conviver com a mediocridade, que tanto agrada aos políticos demagogos ou populistas, como também a algumas religiões que vivem às custas da miséria e da pobreza.

Se o século 21 é o do conhecimento, nós teimamos em andar na contramão da História. Enquanto os países vencedores buscam a liderança tendo como objetivo o Prêmio Nobel, aqui o padrão é o receio dos resultados da pesquisa ABC feita com o Ensino Fundamental, do Enem do Ensino Médio (com graves e evidentes reflexos no Ensino Superior) e a proposta de eliminação do exame de Ordem da OAB, da residência médica e a repulsa das lideranças das entidades de professores ao rebelar-se contra a meritocracia.

Por exemplo, descuramos de forma irresponsável da importância do Ensino Fundamental, que se constitui no alicerce do conhecimento, em uma lamentável demonstração de que não valorizamos aquela que é a maior riqueza de uma nação – o homem na sua plenitude física e mental. Um país que busca embasar sua sociedade em valores medíocres – leia-se os 40 milhões de dependentes do Bolsa-Família, infelizmente não tem muito do que se orgulhar. Temos, isso sim, é de cair na real, darmo-nos as mãos e trabalhar, trabalhar muito para sermos dignos deste país maravilhoso que tem a obrigação de ser vanguarda e não contentar-se em figurar como 84ª posição no índice IDH.

Artigo publicado originalmente no jornal Zero Hora por Paulo Vellinho que é Empresário.

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