Jovens e Veteranos

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

De um lado do ringue, profissionais já veteranos de guerra, que passaram por duros percalços e possuem uma graduação, ou às vezes nem isso, nas costas. No outro extremo, cursos, especializações, diplomas e pouca barba no rosto, as novas e vigorosas gerações que adentram o mercado de trabalho agora. O contraste parece grande, e de fato o é. Ambos os fatores são velhos conhecidos por formar aquele perfil ideal de profissional que o mercado busca. Hoje se sabe que a importância de cada uma das características varia muito e está cada vez mais relativa – tanto pela variedade de profissionais no mercado, quando à variedade dos modelos de gestão das empresas hoje existentes.

Explicando melhor. Enquanto os profissionais vêm e vão, as corporações estão há dez, vinte, cem anos ou mais. As empresas podem pensar “isso sim é conhecer o território onde pisa”. Nem sempre. As empresas, como organismos divididos em células, funções e áreas, de tempos em tempos fazem renovações, reposicionamentos de marca, mudanças na gestão, criação de produtos etc. O problema é que isso não acontece com todas as empresas, assim como acontece com os profissionais. Eis o problema da relatividade: Há as empresas jovens de fundação, mas que são velhas em seu interior e perecem com o tempo; e as empresas antigas de fundação, mas que não envelheceram com o tempo. A diferença está no acompanhamento, tanto das empresas quanto dos profissionais, das novas gerações, tecnologias e estudos.

Algumas empresas teimam em manter antigos processos (grande parte mantidos pelos profissionais experientes) e não renovaram os produtos, têm um modo de gestão antigo ou simplesmente não acompanharam os concorrentes. Isso tudo ajuda a tornar a empresa defasada e é um dos motivos que fez empresas tradicionais de grande porte falir – e pior, isso é aplicável aos profissionais também! Por outro lado, empresas antigas que apostaram na inovação (grande parte implantada por jovens), tentaram inovar demais começaram a cair em erros conhecidos da gestão de dez anos atrás. O que se percebe com isso, para os profissionais, é que há espaço para jovens e experientes, e para as empresas, é que a adaptação ocorra gradualmente conforme as novidades surgem, unindo a sabedoria dos anciãos ao ímpeto do jovem.

Veja, eu às vezes penso nas empresas e nos profissionais como um bom vinho. A bebida passa por vários processos complexos que tomam tempo até que o produto final fique pronto. O processo de fabricação envolve a escolha do tipo certo de planta, então há o plantio em condições exatas de terreno, clima e outros fatores que influenciam até mesmo na acidez do fruto em sua colheita. Então há, resumidamente,  o esmagamento, a fermentação, o afinamento, envelhecimento e, finalmente, o engarrafamento.

Essa renovação profissional, eu diria, surge com base em nossas ideologias, interesses individuais, educação recebida e é aplicável não somente às novas tecnologias, mas aos estudos principalmente.

A própria maneira de fazer vinho sofreu alterações com o tempo. Claro, muitas das vinícolas para atender à demanda da produção em massa, dos tempos onde as escalas industriais cresceram exponencialmente em poucas décadas, mas isso, por si só, já é uma adaptação.

O profissional e a empresa, como o vinho, não ficam prontos da noite para o dia, mas há que se respeitar e entender que cada um tem seu tempo de envelhecimento e maturação.

Artigo originalmente publicado na newsletter da Revista Amanhã.

O autor Bernt Entschev é presidente da De Bernt Entschev Human Capital e também atua como conselheiro de diversas instituições.

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone