Entraves estão do lado de fora do muro das fábricas

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Existe uma unanimidade quando o assunto são os motivos para a ausência de mecanismos competitivos na indústria nacional. Empresários, entidades setoriais, estudos internos e internacionais apontam os mesmos vilões para este cenário e a maioria das questões indicadas fica do lado de fora do portão da fábrica.

O Brasil ocupa a 37ª posição na análise de competitividade industrial de 43 países, ficando à frente apenas de Filipinas, Turquia, Colômbia, Venezuela, Indonésia e Índia, aponta estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O principal entrave para esta realidade são os impostos. Os gargalos da infraestrutura são outro impedimento. Nesse quesito, entre 142 países pesquisados pela indústria paulista, o Brasil está em 104º lugar, enquanto os aeroportos ficam em 122º no ranking e os procedimentos alfandegários em 124º.

“Nesta área destaco o transporte. O custo do frete é muito alto, pode chegar a 15% do preço da carga”, disse Erik Camarano, diretor-presidente do Movimento Brasil Competitivo, integrado pelo empresário Jorge Gerdau. A ONG está trabalhando junto a alguns setores do governo federal, entre elas o aeroportuário.

Entre as ineficiências que impedem o avanço da competitividade, são apontados pelas empresas também a legislação trabalhista, a burocracia estatal e a mão de obra despreparada, segundo o ranking produzido pelo Fórum Econômico Mundial. Já a dificuldade de acesso a financiamento e o câmbio desfavorável, dois itens considerados vitais pelas empresas, ficaram com menor destaque no ranking de problemas -abaixo da corrupção, por exemplo.

“O diagnóstico do Brasil, todo mundo sabe”, afirma Ricardo Roriz, diretor de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, responsável pelos estudos do tema realizados pela entidade. O fato é que a indústria de transformação representava 27,2% do PIB brasileiro em 1980 e em 2010 caiu para 15,8%. A penetração dos produtos importados também contribuiu para esta realidade. Representavam 12,5% do consumo em 2003 e em 2010 pularam para 21,8%.

A velocidade da presença da mercadoria estrangeira tem assustado a indústria nacional. O cenário tem levado analistas a classificar o momento como uma “desindustrailização” do país. O real valorizado é outro ingrediente negativo na ótica da indústria nacional, ao dificultar a exportação e facilitar a importação de produtos.

A questão cambial está no centro da análise do professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Rogério Mori. Para ele, “não é o aspecto tributário, é taxa de câmbio que torna a indústria pouco competitiva”. O dólar, hoje na casa de R$ 1,70, deveria alcançar R$ 2,40 segundo o economista, acompanhando a inflação.

Medidas como as do Plano Brasil Maior, divulgadas em agosto pelo governo Dilma Rousseff com a meta de incentivar o setor industrial, são consideradas positivas pelo professor da FGV, mas chegaram em momento adverso que restringe sua eficácia.

Em outro ponto de vista, o representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Omudi), Gustavo Aishemberg, aponta a falta de investimento por parte do setor industrial.

“Com baixo valor agregado, o produto brasileiro enfrenta a concorrência de produtos como os da China. Não por um problema do câmbio. Na verdade, precisa agregar valor, obtido com muito investimento”, acredita.

Apesar das dificuldades, o especialista da ONU vê dois setores que considera de ponta no país: o agronegócio e a indústria de aeronaves representada pela Embraer. “Vinte anos atrás, ninguém imaginava que o Brasil teria uma empresa com a Embraer.”

Mesmo admitindo a necessidade de mais investimento, a indústria reclama do crédito oficial, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e dos juros elevados dos bancos. O principal incentivo à produção local, acreditam industriais e analistas, é a força do mercado interno, que ganhou 32 milhões de novos consumidores e a classe média passou a ter 94 milhões de pessoas.

Fonte: Valor Econômico

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