A Vida Secreta dos Grandes Compositores (II)

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Música casamento e o encontro com o Mestre – No início de 1829, Rossini havia popularizado a ópera cômica, não só na Itália, como em toda Europa. Mesmo assim, o autor estava cansado de viajar de uma para outra cidade regendo suas composições.

Ele queria ser levado a sério como compositor e desejava formar uma família. Ainda jovem ele se apaixonou por uma talentosa soprano chamada Isabella Colbran, amante de um empresário de cantores de óperas. Em 1822 ela o deixou para casar-se com Rossini.

No mesmo ano, o músico recebeu um convite para dirigir uma de suas óperas em Viena. Ele aceitou sem hesitar, pois teria a oportunidade de expor seu trabalho para um novo público e também encontrar-se com Ludwig van Beethoven.

Rossini teve um choque ao ver o famoso compositor vestindo roupas esfarrapadas e vivendo num apartamento imundo. Durante este encontro, mantiveram uma longa conversação. O mestre alemão elogiou a ópera O Barbeiro de Sevilha, mas em seguida recomendou a Rossini que se dedicasse apenas a compor ópera cômica. O senhor não possui suficiente cultura musical para trabalhar com música dramática, disse-lhe Beethoven.

Rossini escutou a crítica com um sorriso, mas na realidade ficou profundamente ferido com a imputação de que seria incapaz de compor música séria.

Os anos de depressão – Alguns biógrafos do compositor atribuem o período depressivo por ele atravessado, como resultado das previsões de Beethoven. Já outra corrente afirma que Rossini não conseguia suportar a modernidade. Em 1823 ele viajou para a Inglaterra e fez a travessia do Canal da Mancha num moderno barco a vapor, experiência que o aterrorizou. Apesar das homenagens da realeza, de ser ovacionado na Ópera e ter seu nome consagrado na grande imprensa, o trauma persistiu. Rossini deixou a Inglaterra mais rico, mas determinado a nunca mais voltar.

Após ter fixado residência em Paris e produzido com sucesso a ópera Guilherme Tell, os primeiros sinais de sua depressão começaram a aparecer e ele já falava em aposentar-se.

Rossini decidiu parar de escrever músicas frívolas e criou o oratório Stabat Mater. Apesar do sucesso desta obra, o compositor permaneceu convencido de que ninguém levava sua música a sério. Finalmente, em 1830 ele anunciou que iria deixar a música. Seus admiradores entraram em choque, pois o compositor ainda não chegara aos 40 anos. Nada poderia atraí-lo para voltar aos palcos.

Sua vida com Isabella estava intolerável. A soprano havia perdido a voz e passava os dias bebendo e jogando. Rossini passou a ter um caso com Olympe Pélissier, uma rica e linda cortesã parisiense. Entre eles não havia relacionamento sexual – já que uma doença venérea o havia deixado impotente – mas sim a afetuosa união de uma devotada enfermeira e um paciente dependente.

Em 1837, Rossini e Olympe foram viver na Itália e se casam logo após a morte de Isabella.

Apesar do novo estilo de vida, Rossini enfrentou anos de infelicidade. O mundo moderno aterrorizava o compositor. Uma simples viagem de trem lhe causava colapsos. A música de novos compositores, como Richard Wagner, o deixava enfurecido.

Em paralelo, convulsões políticas e sociais ocorriam na França e na Itália. Várias cidades deste país começaram a se rebelar contra o domínio austríaco, obrigando Rossini e Olympe a vagar em busca de um refúgio. Nessa época, o compositor padecia de vários problemas físicos: dores de cabeça, diarréias, inflamação crônica da uretra, hemorróidas e insônias incessantes. Mais grave era a depressão que o debilitava. Raramente ia para o piano, e quando o fazia deixava a sala às escuras para que ninguém o visse derramar lágrimas sobre o teclado.

Depois de Olympe insistir, Rossini decidiu retornar à Paris, em 1855. Gradualmente ele saiu do estado depressivo. Começou a organizar recepções em sua casa e voltou a conviver com um círculo de músicos, pintores e intelectuais. Explorou com prazer os pontos pitorescos da cidade e passou a compor pequenas peças para piano intituladas Pecados de minha velhice. Nunca mais tentou produzir a música séria que sonhara escrever, bem como óperas espirituosas que o tornaram famoso.

Em 1860, exames clínicos revelaram que ele estava com um câncer no reto. O tratamento lhe causava mais sofrimento que a doença. Chegou ao ponto de pedir ao médico que o matasse para não sofrer mais. Na sexta-feira, 13 de novembro de 1868, Gioachino Rossini morreu, tendo a fiel Olympe à sua cabeceira.

Clique aqui para escutar o Cujus Animam do Stabat Mater de Rossini, com Luciano Pavarotti

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